domingo, 15 de setembro de 2013

Processos de negócio com Inteligência Geográfica

Nestes últimos anos, experimentamos uma grande revolução relacionada às tecnologias geoespaciais. Vários dispositivos pessoais e corporativos incorporaram algum tipo de processamento envolvendo dados espaciais. Apesar desta revolução, o verdadeiro potencial continua inexplorado pois as empresas continuam raciocinando os processos de negócio sem inteligência geográfica. Esta evolução não é tão simples pois envolve uma grande mudança de paradigma. Vou dar um exemplo desta dificuldade com uma situação que ocorreu quando eu participava do processo de análise do projeto OPUS do Exército. Quando se discutia como entrar com a solicitação do pedido de obra, a primeira abordagem dos analistas de requisitos foi propor uma ficha eletrônica. Esta é uma abordagem bem comum no processo de análise da maioria dos sistemas corporativos desenvolvidos atualmente. Depois desta abordagem "tradicional" dos analistas, eu fiz a minha intervenção para construir um novo processo pensado com a inteligência geográfica. Desta forma, a primeira entrada passou a ser a seleção da entidade geográfica a qual estaria atrelado todo o processo de gestão de obras do Exército. Como a obra é uma estrutura física que existe numa determina posição geográfica, este novo processo era bastante lógico para quem já tinha experiência em análise de processos com inteligência geográfica, porém para um analista sem esta experiência, esta dedução não é nada trivial. Este projeto foi o primeiro grande sistema do governo federal, no qual trabalhei, a ter o processo de modelagem e desenvolvimento totalmente orientado à inteligência geográfica.

Figura 1 - Interface inicial do OPUS para solicitação de obras (resultado de uma análise com inteligência geográfica).

Figura 2 - Interface com a ficha cadastral que é apresentada após a seleção da entidade geográfica ao qual a obra será associada.

A parte mais complexa que envolve a modelagem orientada à entidade geográfica não é percebida pela maioria dos usuários. Muitos analisam o resultado final e acabam achando que o sistema se trata de um SIG (Sistema de Informação Geográfica), quando na realidade estamos falando de um outro conceito que eu denomino de Sistema de Gestão com Inteligência Geográfica (SGIG). Após a etapa de modelagem de processos com base na inteligência geográfica, é preciso que todo o processo de análise e desenvolvimento também sejam adequados a este novo conceito. Isto implica em ter artefatos repensados para refletir as regras de negócios neste novo paradigma orientado ao espaço geográfico. As figuras a seguir exemplificam um modelo de Caso de Uso que foi construído dentro desta concepção mais moderna de desenvolvimento de sistemas com inteligência geográfica.

Figura 3 - Exemplo de Caso de Uso com especificações para um Sistema de Gestão com Inteligência Geográfica.

Figura 4 - Exemplo de Caso de Uso com especificações para um Sistema de Gestão com Inteligência Geográfica.

Figura 5 - Exemplo de Caso de Uso com especificações para um Sistema de Gestão com Inteligência Geográfica.

Destaquei alguns pontos importantes sobre a análise de processos de negócio envolvendo a inteligência geográfica. Existe uma grande demanda adormecida em várias empresas e esta situação continuará assim pois o mercado enfrenta um falta de profissionais especializados com conhecimentos sólidos na área de análise de projetos envolvendo tecnologias geoespaciais. Ao longo dos projetos que coordenei, eu tive que formar os profissionais que integraram as minhas equipes. Sempre evitei depender de profissionais já formados pelo mercado brasileiro, pois existe uma carência muito grande neste sentido. Quem desejar se especializar nesta área, também encontrará dificuldade em encontrar tal formação no meio acadêmico. Enfim, a internet continua sendo a fonte principal de conhecimento nesta área para quem deseja iniciar os estudos. A experiência prática é o que realmente irá formar um bom profissional.

Imagem cortesia de Stuart Miles / FreeDigitalPhotos.net

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