quarta-feira, 7 de maio de 2014

As Tecnologias Geoespaciais na Era da Computação em Nuvem

Há alguns anos que o conceito de nuvem ("cloud") vem sendo bastante discutido entre os especialistas de TIC (Tecnologia da Informação e Comunicação). No segmento de geotecnologias o assunto também tem sido abordado, mas ainda existe uma visão bastante limitada sobre como o conceito pode se concretizar de forma prática numa instituição ou corporação. Eu tenho estudado o assunto desde que o conceito começou o se popularizar nos eventos e vou explanar neste post questões práticas envolvendo as tecnologias geoespaciais numa arquitetura para nuvem.

Quando abordamos o assunto de nuvem, os dois nomes que normalmente surgem no topo da lista são o Google e a AWS (Amazon Web Services). Vou focar nestes dois serviços, pois considero que realmente são os principais para o desenvolvimento de aplicações envolvendo tecnologias geoespaciais para nuvem, apesar de existirem algumas outras boas opções.

Nuvem Google para Aplicações com Tecnologias Geoespaciais


A nuvem do Google tem incorporado constantemente novos serviços. Especificamente para tecnologias geoespaciais, vou começar falando do Google Maps Engine, que possui uma versão gratuita e possibilita a montagem de mapas com uma interface bem fácil de se utilizar. Ele importa alguns formatos comuns dos softwares de geotecnologias:

  • Dados Vetoriais: ESRI Shapefiles, CSV, KML/KMZ e TAB. 
  • Dados Matriciais: JPEG, JPEG2000, GeoTIFF, TIFF, MrSID e PNG.
Mais detalhes sobre os formatos estão na página de suporte do Google sobre o Map Engine. Nas telas a seguir, eu apresento um mapa de teste que montei para apresentar a um cliente a área imobiliária.



Outra plataforma com recursos destinados aos usuários de tecnologias geoespaciais é o Fusion Tables (Google). Este recurso possui a capacidade de armazenamento de informações georreferenciadas com grande facilidade no manuseio e escalabilidade, porém com limitações em termos de tipos de dados geográficos e análises topológicas. Esta última limitação praticamente impossibilita o uso desta plataforma em aplicações mais "pesadas" envolvendo banco de dados espacial. 


Para acessar o mapa da figura acima, você deve clicar no link a seguir:


Nuvem da AWS para Aplicações com Tecnologias Geoespaciais


Um dos lançamentos mais esperados pelos profissionais do mercado de geotecnologias que trabalham com o SGBD PostgreSQL, foi o lançamento do RDS (Relational Database Service) do PostgreSQL com o suporte ao PostGIS. Nas telas a seguir, veremos como é simples a configuração de uma instância de PostgreSQL no AWS RDS.








Depois de criada a instância e o primeiro banco de dados, basta se conectar ao banco e configurar o módulo do PostGIS. A grande vantagem deste serviço é que não há limites para implementação de uma solução corporativa de GIS que exija análises topológicas mais complexas. Além disso, a simplificação do trabalho de manutenção do SGBD pode economizar muitas horas de trabalho do DBA.

Considerações Finais


Algumas das aplicações mais valorizadas lançadas recentemente foram criadas a partir de idéias geniais que, de forma direta ou indireta, utilizaram as tecnologias geoespaciais com a infraestrutura na Nuvem. Um exemplo é o aplicativo Waze que foi comprado pelo Google por um valor de 1 bilhão de dólares. Certamente ainda tem muitas aplicações que serão lançadas e novas empresas que surgirão com novos modelos de negócio que necessitarão de profissionais com um patamar de conhecimento diferenciado com base nas tecnologias para Nuvem.

Se você é um profissional que trabalha com tecnologias geoespaciais, é bom avaliar a possibilidade de se aprofundar neste novo universo.

Apresentação no MundoGEO#Connect



Imagens cortesia de  twobee Kookkai_nak e cooldesign / FreeDigitalPhotos.net